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NFTs: a indústria milionária que está a revolucionar o mundo da moda

Fique a par dos novos negócios virtuais, desmaterializados. A indústria dos NFT's chegou ao mundo da moda e promete dar que falar.  

Se ainda não conhece a sigla, tome nota: NFT. Significa Non-Fungible Token e é o nome de uma espécie de cartão único virtual. À primeira vista parece desinteressante? Espere até saber mais e supreenda-se como em poucos meses se tornou o maior tesouro que alguém pode ter nos dias que correm.

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O que é o NFT?

O NFT é uma espécie de cartão único: um conteúdo digital com uma identidade imutável. Esse conteúdo - que pode ser uma imagem, uma fotografia, uma música, um vídeo,... qualquer coisa - tem um identificador individual que o distingue de todos os outros conteúdos que há na internet. Ter um NFT é como comprar uma peça única no mundo: não há outro igual, nem sequer é possível forjar uma cópia.

Para que serve o NFT?

Do ponto de vista técnico, o NFT é pouco mais do que uma forma de tornar algo único, identificável e rastreável. Imagine um sistema semelhante aos números de série das notas do banco: mesmo que elas acabem a dar a volta ao mundo, o banco saberá sempre onde elas andam, porque basta ler o número de série para saber onde e quando foram impressas.

Do ponto de vista de mercado, o NFT é uma revolução, porque permite criar produtos digitais únicos e vendê-los pela exclusividade que têm. Um exemplo recente foram as reproduções digitais de quadros famosos vendidas por uma conhecida leiloeira: quem as comprou sabe que, não tendo em casa o quadro verdadeiro, tem uma reprodução digital certificada e única no mundo. Parecendo que não, é um item raro que pode ser vendido, mais tarde, por um valor superior ao de aquisição.

O uso do NFT na moda

É natural que o conceito de NFT ainda pareça um pouco nebuloso, mas tudo ficará mais claro quando conhecer os mais recentes negócios digitais do mundo da moda:

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Produtos virtuais

A RTFKT, marca lançada em 2019 e especializada na venda de ténis digitais, fez uma parceria com um artista digital para criar três designs de ténis digitais. Os consumidores podiam ver o design, experimentar através do Snapchat, e fazer uma licitação online pelo NFT - sendo que o licitador que desse o valor mais alto receberia também uma versão física do calçado.

Para que quer alguém ter um par de ténis que, materialmente, não existem? Pergunte aos milhares de consumidores que levaram a marca a vender 600 NFTs em apenas sete minutos, arrecadando uns estonteantes 3 milhões de dólares.

Mas não é exemplo único. Também a Burberry se aliou à produtora Koffeecup para desenvolver um software que já deu cartas na coleção de outono de 2020. 

A aplicação desenvolvida une tecnologia de gaming e design e visa agilizar o processo de impressão em roupas, permitindo de forma imediata a visualização do resultado final. Desta forma, a Burberry providencia um método mais sustentável, criativo e eficiente de modelação. 

Filmes e vídeos exclusivos

O negócio, neste caso, foi simples: com a ajuda de Alessandro Michele, a Gucci produziu um vídeo de quatro minutos inspirado pela coleção “Aria”, que tinha sido acabada de lançar. O ficheiro foi vendido como NFT por 25 milhões de dólares.

Paywall

O termo pode não lhe dizer nada, mas de certeza que já o viu em ação: é quando, dentro de um site, precisa de pagar para aceder a determinados conteúdos.

O conceito foi estendido na sua interpretação durante a semana da moda de Paris, que em 2021 aconteceu num formato 100% virtual. Além dos desfiles regulares, o público podia comprar NFTs e, com eles, ganhava acesso a desfiles privados e exibições exclusivas de artistas digitais. De notar que os conteúdos destes NFTs ficam com os proprietários, que podem vendê-los mais tarde.

Conteúdos colecionáveis

Para comemorar o 200º aniversário do nascimento do fundador, a Louis Vuitton criou um jogo virtual onde os fãs da marca são convidados a encontrar 200 velas ao longo de vários cenários e situações.

Pelo meio do jogo, há 30 NFT escondidos. Quem os encontrar fica com eles, mas o valor é meramente colecionável: não há dinheiro nem produtos associados.

Peças de roupa físicas (mas únicas)

Ironicamente, a marca de que falamos aqui chama-se Overpriced (“acima do preço”, em português). A estratégia? Criar um hoodie físico, associar-lhe um NFT e imprimir - em código QR - a identificação desse NFT na própria camisola. Para que serve? Para o dono do hoodie convidar os amigos a fazer scan da camisola e confirmarem que sim, aquele hoodie é dos que valem 26 mil dólares (sim, é o preço de venda).

Vale a pena investir em NFT?

Se considerarmos apenas o mundo da moda, o NFT é uma espécie de item colecionável, por isso sim, em princípio terá potencial de valorização. Por ser um item único e irrepetível, torna-se um objeto raro e valioso, sobretudo se tiver sido criado para comemorar um evento especial.

No entanto, vale a pena notar que grande parte dos negócios com NFT estão a ser feitos em criptomoeda, uma vez que a tecnologia NFT - que deriva do blockchain - nasceu no seio da Ethereum, uma concorrente da mundialmente famosa Bitcoin. Assim, contas feitas, o valor do NFT até pode ser indiscutível, mas se for pago em criptomoedas não há garantias de que o dinheiro possa ser transportado para o mundo físico.